Eles estão dentro de celulares, carros elétricos, turbinas eólicas, redes de transmissão, equipamentos médicos, satélites, fertilizantes e sistemas de defesa. Alguns são conhecidos, como cobre, níquel e lítio. Outros raramente aparecem para o consumidor, como nióbio, tântalo, vanádio e elementos de terras raras.
Nas últimas décadas, determinados recursos minerais deixaram de ser vistos apenas como matérias-primas e passaram a ocupar espaço nas discussões sobre segurança econômica, tecnologia, energia, agricultura e geopolítica.
É daí que surgem expressões como minerais críticos e minerais estratégicos.
O Brasil ocupa uma posição particularmente interessante nessa disputa. Segundo a Agência Nacional de Mineração, o país tem relevância na produção de lítio, níquel, cobre, nióbio, manganês e grafita, além de importante potencial geológico em terras raras. As principais ocorrências e projetos se concentram sobretudo em Minas Gerais, Goiás, Pará, Bahia e Amazonas.
Mas possuir minerais no subsolo é apenas o começo.
O verdadeiro desafio é transformar recurso geológico em mineração economicamente viável, material processado, componente industrial e tecnologia de maior valor agregado.
O que são minerais críticos?
Um mineral é considerado crítico quando é importante para determinada atividade econômica, tecnológica ou estratégica e, ao mesmo tempo, seu abastecimento está sujeito a riscos.
Isso significa que a pergunta mais importante não é:
“Esse mineral é raro?”
A pergunta é:
“O que aconteceria se o fornecimento desse mineral fosse interrompido?”
A Agência Nacional de Mineração explica os conceitos de minerais críticos e estratégicos e destaca que os riscos podem surgir de concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, gargalos tecnológicos de processamento e outras vulnerabilidades da cadeia de suprimentos.
Por isso, um elemento pode ser relativamente abundante na crosta terrestre e ainda assim ser considerado crítico.
O problema pode estar no refino, na localização das minas economicamente aproveitáveis, na falta de substitutos, na concentração da produção em poucos países ou até no tempo necessário para colocar novos projetos minerais em funcionamento.
Em outras palavras, criticidade não é sinônimo de raridade geológica.
Mineral crítico e mineral estratégico são a mesma coisa?
Não exatamente.
Os dois conceitos se sobrepõem, mas enfatizam problemas diferentes.
Um mineral crítico chama atenção principalmente pelo risco associado ao fornecimento.
Um mineral estratégico é importante porque participa de setores considerados relevantes para o desenvolvimento econômico, a alta tecnologia, a defesa, a transição energética, a segurança alimentar ou outras prioridades nacionais.
Um mesmo mineral pode ser crítico e estratégico ao mesmo tempo.
| Conceito | Pergunta principal |
|---|---|
| Mineral crítico | O que pode acontecer se sua oferta for interrompida? |
| Mineral estratégico | Por que esse recurso é importante para o país? |
Essa classificação também muda de um país para outro.
Para o Brasil, por exemplo, minerais ligados à produção de fertilizantes assumem um peso especial devido à importância da agricultura. Uma economia com estrutura produtiva diferente pode chegar a outra lista de prioridades.
O Brasil tem uma lista oficial de minerais críticos?
Aqui existe uma diferença importante que muitas explicações simplificam demais.
O Brasil ainda não possui uma lista nacional única oficialmente denominada “lista de minerais críticos e estratégicos”.
O que está formalmente em vigor é uma relação de minerais estratégicos, definida pela Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, no âmbito da Política Pró-Minerais Estratégicos.
A própria ANM fez esse esclarecimento em seu material oficial publicado em abril de 2026.
A Resolução nº 2/2021 do Ministério de Minas e Energia organiza os minerais estratégicos brasileiros segundo três critérios.
| Critério | Minerais |
|---|---|
| Alta dependência de importação para setores vitais | enxofre, fosfato, potássio e molibdênio |
| Aplicação em produtos e processos de alta tecnologia | cobalto, cobre, estanho, grafita, metais do grupo da platina, lítio, nióbio, níquel, silício, tálio, tântalo, terras raras, titânio, tungstênio, urânio e vanádio |
| Vantagem comparativa e importância para a balança comercial | alumínio, cobre, ferro, grafita, ouro, manganês, nióbio e urânio |
Alguns aparecem em mais de um grupo.
Cobre, grafita, nióbio e urânio, por exemplo, podem ser importantes tanto pelo uso tecnológico quanto pela posição econômica ou mineral brasileira.
Esse sistema mostra algo interessante: falar em minerais estratégicos no Brasil não significa falar apenas de baterias, inteligência artificial ou carros elétricos.
A discussão também chega à agricultura, infraestrutura, energia e comércio exterior.
Quais minerais estão no centro da atenção hoje?
Embora a relação brasileira seja ampla, alguns materiais ganharam destaque especial nos últimos anos.
Entre eles estão lítio, grafita, terras raras, nióbio, cobre, níquel, cobalto e manganês.
O Ministério de Minas e Energia destaca a participação brasileira nas reservas e na produção de vários desses recursos em seu guia para investidores, enquanto o Serviço Geológico do Brasil mantém estudos específicos sobre o potencial mineral do território nacional.
A importância fica mais clara quando observamos o que cada mineral permite fabricar.
Lítio: muito além da bateria do celular
O lítio tornou-se um dos símbolos da transição energética por causa das baterias recarregáveis de íons de lítio.
Essas baterias estão presentes em smartphones, notebooks, ferramentas elétricas, veículos eletrificados e sistemas de armazenamento de energia.
O interesse pelo lítio aumentou rapidamente porque a demanda relacionada à eletrificação e ao armazenamento energético continua crescendo.
No Global Critical Minerals Outlook 2026, a Agência Internacional de Energia projeta que, no cenário baseado nas políticas atualmente declaradas, a demanda global por lítio pode crescer mais de três vezes até 2040.
Mas existe uma diferença enorme entre extrair minério contendo lítio e produzir uma bateria.
Entre essas duas pontas estão etapas de beneficiamento, produção de compostos químicos, materiais ativos, fabricação de células, sistemas eletrônicos e montagem de baterias.
É justamente nessas etapas intermediárias e finais que se encontra grande parte do valor tecnológico.
Grafita: a parte esquecida das baterias
Quando alguém fala em bateria de íons de lítio, o próprio lítio costuma receber quase toda a atenção.
Mas a grafita é fundamental em muitos desses sistemas, especialmente no ânodo.
O Brasil figura entre os países com reservas expressivas de grafita. O MME também destaca o país entre os principais detentores globais desse recurso.
O caso da grafita mostra outro problema da cadeia mineral: ter a matéria-prima não garante domínio do processamento necessário para chegar a um material adequado à fabricação de baterias.
É possível ter minério e continuar dependente da importação de componentes de maior valor agregado.
Terras raras: pequenas quantidades, enorme importância tecnológica
As chamadas terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos utilizados em diferentes tecnologias avançadas.
Algumas aplicações importantes aparecem em ímãs permanentes de alto desempenho, motores elétricos, eletrônicos, turbinas eólicas, equipamentos aeroespaciais e sistemas de defesa.
Se quiser compreender essa cadeia desde o começo, o TecMaker já explica o que são terras raras e por que elas se tornaram matéria-prima da tecnologia.
O Brasil possui importante potencial geológico em terras raras, mas o desafio não termina na descoberta de uma jazida. A separação dos diferentes elementos e a transformação em produtos industriais exigem processos técnicos e químicos sofisticados.
E há outra conexão interessante.
Elementos de terras raras podem ocorrer em minerais como a monazita, que também pode conter tório. É por isso que já mostramos no TecMaker como a monazita conecta terras raras, tório e radioatividade.
A geologia real é muito mais complexa do que imaginar uma mina contendo apenas um elemento isolado.
Nióbio: onde o Brasil já ocupa uma posição excepcional
O nióbio representa um caso diferente.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, o Brasil detém a maior reserva mundial de nióbio.
O elemento é empregado principalmente na produção de ligas e aços especiais. Pequenas adições de nióbio podem modificar propriedades dos materiais, permitindo aplicações em infraestrutura, energia, indústria automotiva e outras áreas.
Existem ainda pesquisas relacionadas a aplicações tecnológicas avançadas de compostos de nióbio.
O exemplo mostra que existem diferentes motivos para um mineral ser estratégico.
Alguns são estratégicos porque o Brasil depende do exterior.
Outros porque o país possui uma posição geológica e produtiva extraordinariamente favorável.
Cobre: sem ele, eletrificar fica muito mais difícil
O cobre talvez pareça menos futurista que lítio ou terras raras.
Ainda assim, ele é um dos metais fundamentais da eletrificação.
Redes de transmissão, transformadores, motores, veículos, edifícios, sistemas de geração e muitos dispositivos eletrônicos dependem de cobre.
A edição de 2026 do relatório da Agência Internacional de Energia voltou a chamar atenção para riscos futuros de abastecimento, particularmente no caso do cobre, enquanto a demanda por minerais associados à eletrificação continua crescendo.
É um bom exemplo de como um material conhecido há milhares de anos pode ganhar nova importância estratégica em uma economia altamente eletrificada.
Níquel, cobalto e a mudança das baterias
Níquel e cobalto aparecem em diversas ligas e também em determinadas químicas de baterias.
Mas essa história ensina outra coisa importante:
a criticidade de um mineral pode mudar com a tecnologia.
A Agência Internacional de Energia observa que o crescimento das baterias de fosfato de ferro-lítio, conhecidas como LFP, alterou as perspectivas de crescimento da demanda de cobalto em relação a projeções anteriores. Ainda assim, o elemento continua relevante em outras químicas e aplicações industriais.
Se uma nova tecnologia reduzir drasticamente a necessidade de determinado material, seu nível de criticidade pode diminuir.
Se surgir uma aplicação completamente nova, pode acontecer o contrário.
Por isso, a própria ANM destaca que essas listas são dinâmicas.
Manganês: um material antigo com novas aplicações
O manganês possui uma longa história ligada à produção de aço.
Mais recentemente, também ganhou atenção pelas aplicações possíveis em determinadas químicas de baterias.
No Brasil, ele aparece entre os minerais estratégicos associados às vantagens comparativas e à importância econômica do país.
É mais um exemplo de como a transição tecnológica pode dar um novo papel estratégico a um material industrial tradicional.
Potássio e fosfato mostram que criticidade também chega à comida
Talvez esse seja um dos pontos que melhor diferenciam a discussão brasileira.
Quando se fala em minerais críticos, muita gente pensa imediatamente em:
carros elétricos, chips e baterias.
Mas o Brasil precisa definir suas vulnerabilidades conforme sua própria economia.
E isso coloca potássio e fosfato no centro da discussão.
Os dois estão relacionados à produção de fertilizantes e, portanto, à agricultura.
A ANM cita justamente os agrominerais como exemplo de recursos cuja criticidade é especialmente relevante para o Brasil.
Isso leva a uma conclusão importante:
segurança mineral também pode significar segurança alimentar.
Um mineral não é crítico por possuir alguma propriedade misteriosa.
Ele se torna crítico porque determinada sociedade depende dele e pode ter dificuldade para garantir seu fornecimento.
Urânio: a ligação entre mineração e energia nuclear
O urânio também faz parte da relação brasileira de minerais estratégicos.
Sua importância está diretamente associada à cadeia nuclear, desde a mineração e beneficiamento até etapas muito mais especializadas do ciclo do combustível.
Dentro deste cluster do TecMaker, a discussão nuclear também nos levou ao tório.
Ao analisar o tório associado a Bayan Obo e a estratégia tecnológica chinesa, vimos exatamente a diferença entre possuir uma matéria-prima e dominar a tecnologia capaz de utilizá-la.
Depois avançamos para como funciona um reator de tório e o experimento desenvolvido pela China.
Esses exemplos ajudam a mostrar por que recursos naturais, ciência e capacidade industrial precisam ser analisados juntos.
Por que esses minerais se tornaram tão estratégicos?
Não existe uma única causa.
A transição energética aumentou a importância de materiais usados em baterias, motores, turbinas, redes elétricas e armazenamento de energia.
A digitalização ampliou a demanda por infraestrutura física para computadores, telecomunicações, data centers, sensores e automação.
Sistemas de defesa e aplicações aeroespaciais utilizam materiais especiais, metais de alta pureza e ímãs avançados.
A agricultura depende de insumos minerais para fertilizantes.
E a geopolítica tornou governos e empresas mais atentos ao risco de depender de poucos fornecedores.
A Agência Internacional de Energia destaca que os minerais críticos chegaram ao centro das agendas de segurança energética, econômica e nacional justamente pela combinação entre dependência tecnológica e concentração das cadeias produtivas.
Ter o minério não significa dominar a tecnologia
Este talvez seja o ponto mais importante de todo o artigo.
Uma cadeia mineral pode ser representada assim:
jazida → mineração → concentração → separação → refino → material de alta pureza → componente → produto tecnológico
Um país pode ser muito forte no início dessa cadeia e continuar dependente de outros países no final.
Pode exportar minério ou concentrado e depois importar baterias, ímãs, ligas especiais, motores e equipamentos fabricados a partir da mesma matéria-prima.
Essa é uma das razões pelas quais o debate brasileiro passou a envolver não apenas mineração, mas também beneficiamento, transformação mineral, pesquisa, inovação e industrialização.
O próprio MME afirma que uma das oportunidades brasileiras está em avançar na transformação mineral e agregar valor aos recursos produzidos no país.
É a diferença entre participar da cadeia como fornecedor de matéria-prima e participar como produtor de tecnologia.
Por que a China aparece tanto nessa história?
Porque a disputa pelos minerais não acontece apenas onde eles são extraídos.
O processamento também é estratégico.
Em diversas cadeias, especialmente nas relacionadas a materiais avançados, a capacidade de refino, separação e transformação está fortemente concentrada.
O caso das terras raras tornou essa situação particularmente visível.
Isso também ajuda a entender por que Bayan Obo aparece na discussão sobre terras raras e tório.
O verdadeiro poder tecnológico não está simplesmente em retirar uma rocha do solo.
Está em saber separar, purificar, transformar e utilizar seus elementos em produtos sofisticados.
O Brasil pode se tornar um grande fornecedor dessas cadeias?
O potencial existe.
O Panorama do potencial de minerais críticos e estratégicos do Brasil — edição 2026, do Serviço Geológico do Brasil reúne informações sobre recursos e áreas brasileiras de interesse para diferentes minerais.
O MME também publicou em 2026 uma nova edição de seu guia voltado aos minerais críticos, destacando nióbio, grafita, terras raras, níquel, manganês, bauxita e lítio entre os recursos nos quais o Brasil possui posição relevante.
Mas potencial geológico não se transforma automaticamente em liderança industrial.
São necessários conhecimento geológico, capital, infraestrutura, tecnologia de processamento, profissionais especializados, licenciamento, controle ambiental, energia, logística, pesquisa e mercados consumidores.
E existe uma pergunta ainda maior:
quanto dessa cadeia o Brasil pretende desenvolver dentro do próprio país?
E os impactos ambientais?
Chamar um material de “crítico” ou “estratégico” não torna sua mineração automaticamente sustentável.
Cada projeto precisa ser analisado de acordo com sua jazida, método de extração, uso de água e energia, resíduos, rejeitos, biodiversidade, comunidades envolvidas e processos industriais utilizados.
Algumas cadeias apresentam desafios adicionais.
As terras raras, por exemplo, exigem processos complexos de separação e podem ocorrer associadas a outros elementos.
A monazita é um bom exemplo porque pode conter elementos de terras raras e tório.
Isso exige atenção adicional quando há concentração ou processamento industrial do material.
No TecMaker, mostramos também como funciona um contador Geiger e o que ele realmente consegue medir, justamente para diferenciar detecção de radiação, identificação de radionuclídeos e avaliação de risco.
São problemas diferentes e exigem instrumentos e análises diferentes.
Uma política séria para minerais críticos, portanto, não pode ser resumida a “extrair mais rápido”.
Ela precisa conciliar segurança de abastecimento, desenvolvimento econômico, conhecimento tecnológico, impactos ambientais e interesses das comunidades envolvidas.
Reciclagem pode reduzir a dependência da mineração?
Pode ajudar, principalmente à medida que mais baterias, motores, equipamentos eletrônicos e outras tecnologias chegam ao fim de sua vida útil.
Esses produtos podem se transformar em fontes secundárias de determinados materiais.
Mas reciclagem não elimina imediatamente a necessidade de mineração.
Existe um intervalo entre colocar milhões de equipamentos em circulação e receber esses mesmos materiais de volta.
Além disso, eficiência de recuperação, viabilidade econômica e qualidade do material reciclado variam bastante conforme o elemento e o produto.
A economia circular é, portanto, uma parte importante da estratégia de segurança mineral, mas não uma solução isolada.
O Brasil está criando uma nova política para minerais críticos?
Existe uma proposta importante em tramitação no Congresso.
O PL 2780/2024 prevê a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, a PNMCE, e de uma estrutura voltada à coordenação e industrialização dessas cadeias.
A proposta trata de pesquisa, extração, beneficiamento, transformação, inovação, financiamento e outros instrumentos relacionados à cadeia mineral.
No TecMaker, já explicamos em detalhes o que propõe a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
É importante, porém, não tratar o projeto como uma lei já aprovada.
Em 27 de agosto de 2026, o PL 2780/2024 continua oficialmente “em tramitação” no Senado Federal. O Senado registra também um requerimento de urgência apresentado em 6 de julho.
Esse trecho do artigo deverá ser revisto sempre que houver nova movimentação legislativa.
A lista de minerais estratégicos poderá mudar?
Sim.
Aliás, isso é esperado.
A Resolução nº 2/2021 permite alterações na relação brasileira, e a ANM ressalta que listas de minerais críticos e estratégicos são dinâmicas.
Uma nova tecnologia pode reduzir a necessidade de determinado metal.
Uma grande descoberta geológica pode diversificar a oferta.
A reciclagem pode diminuir dependências.
Uma restrição comercial pode criar um gargalo repentino.
E uma tecnologia inexistente hoje pode transformar um elemento pouco valorizado em matéria-prima estratégica amanhã.
Por isso, uma lista de minerais críticos pode ser entendida como uma espécie de fotografia das vulnerabilidades tecnológicas e econômicas de uma época.
O que isso muda na prática?
Muito mais do que parece.
O lítio e a grafita chegam às baterias.
O cobre chega às redes elétricas, motores e eletrônicos.
As terras raras podem chegar aos ímãs de alto desempenho.
Níquel, manganês e cobalto participam de determinadas ligas e químicas de baterias.
Nióbio chega aos aços e materiais especiais.
Potássio e fosfato chegam aos fertilizantes.
Urânio chega à cadeia nuclear.
A cadeia mineral termina em produtos e serviços que fazem parte da vida cotidiana.
Uma interrupção importante pode se refletir em preços, fabricação, energia, agricultura, infraestrutura e relações comerciais.
É por isso que recursos retirados do subsolo passaram a ocupar espaço em decisões de política industrial e segurança nacional.
O verdadeiro desafio brasileiro é subir na cadeia
O Brasil possui diversidade geológica e uma posição privilegiada em vários minerais.
Mas a maior oportunidade econômica não está necessariamente em exportar grandes volumes de material pouco processado.
Em diversas cadeias, o salto de valor ocorre quando se avança de:
minério → material processado → composto tecnológico → componente → produto final
No caso das terras raras, a cadeia pode passar por minério, separação de óxidos, metais, ligas magnéticas, ímãs e motores.
No lítio, pode passar pelo minério, compostos de lítio, materiais ativos, células e baterias.
Cada nova etapa exige mais conhecimento e tecnologia.
Mas também pode criar mais valor econômico, empregos especializados e capacidade industrial.
Esse talvez seja um dos principais significados da palavra estratégico para o Brasil atual.
Não basta saber o que existe no subsolo.
É preciso decidir o que o país será capaz de fazer com aquilo que extrai.
Perguntas frequentes sobre minerais críticos no Brasil
Quais são os principais minerais críticos e estratégicos do Brasil?
Entre os materiais atualmente destacados nas discussões brasileiras estão lítio, grafita, terras raras, nióbio, níquel, cobre, cobalto e manganês. Potássio e fosfato também têm importância particular devido à relação com fertilizantes e segurança de abastecimento agrícola.
O Brasil possui uma lista oficial de minerais críticos?
Ainda não existe uma lista nacional única oficialmente denominada “lista de minerais críticos e estratégicos”. O que está em vigor é a relação de minerais estratégicos estabelecida pela Resolução nº 2/2021 para a Política Pró-Minerais Estratégicos.
Mineral crítico significa mineral raro?
Não. A criticidade depende principalmente da importância do recurso e do risco de abastecimento. Um mineral pode ser relativamente abundante e continuar crítico caso seu processamento esteja concentrado, existam poucos fornecedores ou seja difícil substituí-lo.
Terras raras são minerais críticos?
Frequentemente são tratadas dessa forma porque possuem importantes aplicações tecnológicas e porque partes de sua cadeia mundial de processamento são bastante concentradas. No Brasil, minérios de terras raras fazem parte da lista de minerais estratégicos relacionada à alta tecnologia.
Por que o nióbio é estratégico para o Brasil?
Porque o Brasil possui a maior reserva mundial de nióbio e ocupa uma posição particularmente forte nessa cadeia. O elemento é utilizado principalmente em aços e ligas especiais.
Por que o potássio é estratégico?
O potássio é fundamental para fertilizantes e, portanto, para a agricultura. A dependência de fornecimento externo transforma o abastecimento desse mineral em questão estratégica para a economia brasileira.
O PL dos minerais críticos já virou lei?
Não. Em 27 de agosto de 2026, o PL 2780/2024 permanece em tramitação no Senado Federal.
Minerais estratégicos são também uma disputa por conhecimento
Os minerais críticos no Brasil não formam apenas uma lista de pedras valiosas.
Eles revelam algumas das principais dependências e oportunidades tecnológicas do país.
Lítio e grafita ajudam a explicar a corrida pelas baterias. Cobre sustenta a eletrificação. Terras raras entram em tecnologias avançadas. Nióbio oferece ao Brasil uma posição geológica excepcional. Potássio e fosfato lembram que segurança mineral também significa segurança alimentar. E o urânio conecta mineração à política energética.
O ponto central é que criticidade não significa simplesmente raridade.
Significa que determinado recurso se tornou importante o suficiente para que problemas de abastecimento possam afetar economia, tecnologia, energia, agricultura ou segurança.
O Brasil possui uma posição mineral privilegiada.
A questão dos próximos anos será descobrir se conseguirá transformar essa vantagem em processamento, conhecimento, indústria, inovação e produtos de maior valor agregado, conciliando esse desenvolvimento com responsabilidade ambiental e social.
Porque a competição do século XXI não acontece apenas por quem possui o minério.
Ela acontece também por quem domina a tecnologia que começa nele.
Conclusão
Os minerais críticos no Brasil deixaram de ser um tema restrito à geologia e à mineração. Hoje, eles estão diretamente ligados à transição energética, à agricultura, à indústria, à digitalização, à segurança de abastecimento e ao desenvolvimento de novas tecnologias.
Lítio, grafita, cobre, nióbio, terras raras, manganês, níquel, potássio e outros recursos mostram que o Brasil possui uma base mineral estratégica relevante. Mas ter o minério no subsolo não garante, por si só, liderança tecnológica. O maior desafio está em avançar nas etapas de processamento, transformação, pesquisa, inovação e fabricação de produtos de maior valor agregado.
É justamente nessa passagem — do recurso natural para a tecnologia — que pode estar uma das maiores oportunidades brasileiras dos próximos anos.
Ao mesmo tempo, esse avanço precisa considerar impactos ambientais, comunidades, segurança regulatória e uso responsável dos recursos. Uma estratégia mineral realmente sólida não pode olhar apenas para quanto é possível extrair, mas também para como transformar essa riqueza em conhecimento, indústria e desenvolvimento sustentável.
No fim, a disputa pelos minerais críticos não é apenas uma corrida por jazidas. É também uma disputa por capacidade científica, tecnologia, infraestrutura e domínio das cadeias produtivas.
Quer continuar acompanhando como mineração, energia, ciência e tecnologia estão se conectando? Explore os outros conteúdos do cluster de minerais estratégicos do TecMaker e acompanhe nossas próximas análises sobre as matérias-primas que estão por trás das tecnologias do futuro.

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