Quando surgiu o primeiro drone?
A pergunta parece simples, mas a resposta revela uma história profunda que atravessa guerras mundiais, disputas geopolíticas e avanços tecnológicos decisivos.
O mundo não criou os drones para filmar casamentos ou entregar encomendas. A tecnologia nasceu dentro da indústria bélica, em um contexto de conflito global. Como tantas outras inovações, os drones surgiram quando governos buscaram reduzir riscos humanos e ampliar poder estratégico.
Se você quer entender quando o primeiro drone foi feito, precisa olhar para o início do século XX, quando a ideia de aeronaves não tripuladas deixou de ser ficção e passou a integrar planos militares reais.
A ideia de voo não tripulado nasce na Primeira Guerra Mundial
Durante a Primeira Guerra Mundial, engenheiros começaram a testar uma ideia ousada: criar aeronaves capazes de voar sozinhas até um alvo predeterminado.
Em 1918, os Estados Unidos desenvolveram o Kettering Bug, considerado por muitos historiadores o primeiro drone funcional da história. Ele não operava com controle remoto como os drones modernos. Em vez disso, utilizava um sistema mecânico programado para cortar o motor após determinada distância, fazendo a aeronave cair sobre o alvo.
O Kettering Bug não chegou a ser usado em combate real, mas representou um marco histórico. Ele demonstrou que era possível construir uma aeronave não tripulada capaz de cumprir missão estratégica.
Nesse momento, a humanidade plantou a semente do que viria a se tornar o drone moderno.
A Alemanha V1 e a consolidação do conceito na Segunda Guerra Mundial
Se a Primeira Guerra Mundial trouxe experimentação, a Segunda Guerra Mundial trouxe aplicação prática em larga escala.
Em 1944, a Alemanha nazista lançou a V1 (Vergeltungswaffe 1), conhecida como bomba voadora. Diferentemente do Kettering Bug, a V1 operou de fato em combate, atingindo cidades como Londres.
A V1 funcionava com:
- Motor pulsante
- Sistema de navegação mecânico
- Programação de alcance
- Estrutura totalmente não tripulada
Ela não retornava informações nem tinha câmera, mas executava uma missão autônoma. Muitos especialistas consideram a V1 o primeiro drone operacional da história.
Após o fim da guerra, os Estados Unidos capturaram modelos e produziram réplicas do V1 para estudo e desenvolvimento. Essa transferência tecnológica acelerou a evolução de mísseis e aeronaves não tripuladas nas décadas seguintes.
Mais uma vez, vemos um padrão histórico: tecnologias primeiro passam pela indústria bélica antes de chegar à sociedade civil.
Guerra Fria e anos 60: os drones deixam de ser descartáveis
Nos anos 60, durante a Guerra Fria, os drones passaram por transformação decisiva. Eles deixaram de ser apenas armas descartáveis e começaram a desempenhar papel estratégico em reconhecimento e espionagem.
Estados Unidos e União Soviética investiram fortemente em aeronaves não tripuladas capazes de:
- Sobrevoar territórios inimigos
- Fotografar bases militares
- Retornar dados estratégicos
- Reduzir risco humano
Nesse período, a tecnologia deu um salto. Sistemas de rádio controle evoluíram, sensores ficaram mais sofisticados e o conceito de autonomia começou a se expandir.
Se alguém pergunta quando o primeiro drone foi feito no sentido de uso estratégico contínuo, muitos especialistas apontam justamente os anos 60 como marco da consolidação.
Comparação histórica: primeiros drones versus drones atuais
| Característica | Primeiros drones (1918–1960) | Drones modernos |
|---|---|---|
| Controle | Mecânico ou pré-programado | Controle remoto + IA |
| Sensores | Nenhum ou rudimentar | Câmeras 4K, sensores térmicos |
| Autonomia | Limitada | Alta autonomia com algoritmos |
| Uso principal | Militar | Militar, civil e comercial |
| Comunicação | Inexistente | Transmissão em tempo real |
Essa evolução mostra como a tecnologia evolui para tornar tudo mais rápido, automático e invisível.
Por que a indústria militar liderou essa inovação?
A guerra cria urgência tecnológica. Quando países enfrentam conflitos, governos aceleram investimentos e reduzem barreiras burocráticas.
Drones surgiram porque:
- Pilotos morriam em missões arriscadas
- Espionagem aérea exigia soluções discretas
- Conflitos exigiam alcance maior sem custo humano
Historicamente, radares, internet, GPS e até computadores também nasceram nesse ambiente militar.
A inovação bélica moldou o futuro tecnológico do mundo.
A transição para o uso civil
A partir dos anos 2000, miniaturização de componentes eletrônicos e avanço do GPS permitiram que drones deixassem o ambiente exclusivamente militar.
Hoje, drones participam de:
- Agricultura de precisão
- Monitoramento ambiental
- Filmagens cinematográficas
- Entregas automatizadas
- Segurança privada
O que antes exigia esforço passa a acontecer com um clique.
Antes exigia presença física passa a ser feito à distância.
O que exigia atenção humana passa a ser feito por sistemas inteligentes.
Essa lógica também se aplica aos drones.
Linha do tempo dos drones e quando surgiu o primeiro drone
A história dos drones não começou com câmeras aéreas ou entregas automatizadas. Ela nasceu no contexto militar e evoluiu ao longo de mais de um século. Abaixo, você confere os principais marcos históricos e a resposta direta à pergunta: quando surgiu o primeiro drone?
1918 — Primeira Guerra Mundial
O Kettering Bug, desenvolvido nos Estados Unidos, marcou o primeiro experimento funcional de uma aeronave não tripulada programada para atingir um alvo específico. Embora não tenha sido utilizado em combate real, ele representa o primeiro drone experimental da história.
1944 — Alemanha V1
A bomba voadora V1 foi utilizada operacionalmente na Segunda Guerra Mundial. Com sistema de navegação mecânico e motor pulsante, tornou-se o primeiro drone aplicado em larga escala em combate real.
Pós-1945 — Transferência tecnológica
Após a guerra, os Estados Unidos estudaram réplicas da V1 e impulsionaram o desenvolvimento de mísseis e aeronaves não tripuladas, consolidando o avanço tecnológico iniciado no conflito.
Anos 60 — Guerra Fria
Durante a Guerra Fria, drones passaram a desempenhar papel estratégico em reconhecimento e espionagem. Nesse período, deixaram de ser apenas armas descartáveis e tornaram-se plataformas reutilizáveis de vigilância.
Então, quando surgiu o primeiro drone?
Se considerarmos o primeiro modelo funcional experimental, o primeiro drone surgiu em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, com o Kettering Bug.
Se analisarmos o primeiro uso operacional em combate real, a resposta aponta para 1944, com a Alemanha V1.
Já sob a perspectiva de uso estratégico consolidado e tecnológico mais sofisticado, os drones ganharam força definitiva nos anos 60, durante a Guerra Fria.
Quando surgiu o primeiro drone? Por que essa resposta ainda importa
O marco histórico
O primeiro drone surgiu em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, com o Kettering Bug. Em 1944, a Alemanha V1 transformou o conceito em uso operacional real. Nos anos 60, a Guerra Fria consolidou os drones como ferramentas estratégicas de vigilância e reconhecimento.
Da guerra ao cotidiano
A história mostra um padrão claro: tecnologias primeiro passam pela indústria bélica antes de se tornarem acessíveis ao público. Foi assim com os drones, que evoluíram de armas experimentais para ferramentas de agricultura, cinema, logística e monitoramento ambiental.
O que essa evolução revela
Entender quando surgiu o primeiro drone ajuda a compreender como a inovação tecnológica avança sob pressão histórica. O drone moderno não nasceu no lazer, nasceu no conflito — e hoje molda setores inteiros da economia.
A pergunta histórica permanece relevante porque revela algo maior: a tecnologia que começa na guerra muitas vezes redefine o futuro civil.
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Leitura externa recomendada
Para aprofundar o entendimento sobre a evolução histórica da tecnologia militar e sua influência no desenvolvimento civil, consulte também o artigo da Encyclopaedia Britannica sobre Unmanned Aerial Vehicles , que apresenta uma análise histórica detalhada sobre drones e veículos aéreos não tripulados.

Eduardo Barros é editor-chefe do Tecmaker, Pós-Graduado em Cultura Maker e Mestre em Tecnologias Educacionais. Com experiência de mais de 10 anos no setor, sua análise foca em desmistificar inovações e fornecer avaliações técnicas e projetos práticos com base na credibilidade acadêmica.










