O que é “O seu feed imortal: a Meta patenteou uma IA que continua postando depois da sua morte?”
O seu feed imortal é a discussão sobre um possível registro de patente envolvendo inteligência artificial capaz de replicar padrões digitais de usuários falecidos.
Até o momento, não há produto oficial ativo com essa função. O que existe são registros técnicos relacionados à simulação comportamental.
- Não há lançamento comercial confirmado.
- Existem registros técnicos sobre modelagem de comportamento.
- O debate envolve ética digital e identidade online.
Resumo: trata-se de uma possibilidade tecnológica registrada, não de um sistema público em operação.
A ideia parece roteiro de ficção científica: você morre, mas seu perfil continua ativo. Publicando fotos. Respondendo mensagens. Interagindo como se nada tivesse acontecido.
Nas últimas semanas, um rumor ganhou força: “Zuck patenteou uma IA que continua atualizando suas redes depois da sua morte.”
Mas o que é verdade nisso?
A Meta realmente registrou uma patente envolvendo simulação de usuários ausentes. A pergunta não é apenas se isso existe — mas o que significa.
E é aqui que a história fica mais interessante.
A patente existe? Sim. Mas não é o que muitos estão dizendo.
Documentos públicos mostram que uma patente da Meta descreve o uso de modelos de linguagem para simular um usuário quando ele estiver ausente — inclusive no caso de falecimento.
Isso é um fato.
Mas é preciso entender três coisas fundamentais:
- Patente não é produto.
- Patente não significa implementação automática.
- Patente não define como isso seria aplicado socialmente.
A internet simplificou a história para “IA vai continuar postando depois da morte”. A realidade é mais complexa.
O que a patente realmente descreve?
A tecnologia mencionada envolve modelos de linguagem capazes de:
- Aprender padrões de comportamento
- Reproduzir estilo textual
- Simular respostas
- Manter continuidade de interação
A patente menciona explicitamente que isso poderia ocorrer quando o usuário estiver “ausente”, incluindo a possibilidade de falecimento.
Mas atenção: isso não significa que a Meta anunciou um produto chamado “Feed Imortal”.
Significa que a empresa registrou a possibilidade técnica.
E isso é muito diferente.
Feed Imortal: Fato ou Mito?
FATO: Existe patente descrevendo simulação de usuários ausentes com IA.
FATO: O texto menciona inclusive o caso de usuário falecido.
MITO: A Meta anunciou que vai lançar uma IA que continuará postando automaticamente após a morte.
MITO: Zuckerberg pessoalmente criou um projeto de “imortalidade digital obrigatória”.
REALIDADE: A patente abre possibilidade técnica, mas não define produto, escala ou obrigatoriedade.
Por que isso viralizou?

A história do “feed imortal” não viralizou apenas porque envolve tecnologia. Ela viralizou porque toca em temas sensíveis da sociedade digital contemporânea.
O encontro entre tecnologia e morte
A ideia de que uma inteligência artificial possa continuar publicando após a morte ativa um desconforto profundo. Redes sociais se tornaram extensões da identidade. Fotografias, opiniões, conversas e memórias estão armazenadas em plataformas digitais. Quando surge a hipótese de continuidade pós-morte, a discussão deixa de ser técnica e passa a ser existencial.
A escala da Meta amplifica qualquer rumor
Não se trata de uma empresa pequena. A Meta controla Facebook, Instagram, WhatsApp, Threads e Messenger — um ecossistema que conecta bilhões de pessoas. Qualquer possibilidade técnica dentro desse universo automaticamente ganha dimensão global. A escala transforma hipótese em manchete.
IA generativa já tornou isso plausível
Ferramentas de inteligência artificial já conseguem imitar estilo de escrita, reproduzir vozes e gerar imagens realistas. O público já viu deepfakes e assistentes conversacionais avançados. Por isso, a ideia de uma IA que simula um usuário não parece ficção científica — parece uma evolução possível.
O medo da perda de controle
Talvez o fator mais poderoso seja psicológico. A morte é inevitável, mas perder o controle sobre a própria voz é perturbador. A viralização revela um medo coletivo: que a identidade digital se torne um ativo treinável, independente da vontade do titular.
Economia da retenção infinita
Existe também uma leitura estratégica. Plataformas vivem de engajamento e dados. Perfis que nunca “morrem” simbolizam retenção contínua. Mesmo que isso não esteja confirmado como plano de produto, a simples possibilidade desperta desconfiança — e desconfiança gera compartilhamento.
A economia da retenção infinita
Se analisarmos friamente, existe uma lógica econômica por trás disso.
Imagine um público que nunca mais cancela a conta.
Perfis que continuam ativos indefinidamente.
Interações que não cessam.
Isso cria:
- Retenção infinita
- Engajamento prolongado
- Dados contínuos para treinamento
- Continuidade de monetização indireta
A pergunta não é “isso é macabro?”
A pergunta é: isso é financeiramente interessante?
A resposta é óbvia.
Patente vs Produto Real
| Aspecto | Patente | Produto |
|---|---|---|
| Registro legal | Sim | Não confirmado |
| Descrição técnica | Sim | Não anunciado |
| Implementação automática | Não | Não |
| Escala global garantida | Não | Não |
| Consentimento definido | Não detalhado | Indefinido |
LGPD e herança digital no Brasil
No contexto brasileiro:
- Dados pessoais continuam protegidos após a morte?
- A família pode autorizar uso de dados?
- O titular precisa consentir previamente?
Não há consenso definitivo.
Mas qualquer implementação exigiria consentimento explícito.
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O que aconteceria se isso fosse ativado para 4 bilhões de usuários?
Vamos simular cenários.
Cenário 1 – Opt-in voluntário
Usuário ativa opção de “continuidade digital”.
Cenário 2 – Perfil memorial com IA passiva
IA responde apenas se acionada.
Cenário 3 – Atividade automática
IA publica e interage continuamente.
Este último seria o mais controverso.
A tecnologia já permite isso?
Tecnicamente, sim.
LLMs já conseguem:
- Escrever como você
- Simular seu histórico
- Aprender seus padrões
- Manter conversas
Empresas já oferecem “avatares digitais” treinados com dados pessoais.
O que falta não é tecnologia.
É decisão política e ética.
O verdadeiro debate: identidade como serviço

Se sua personalidade vira modelo treinável, ela se transforma em ativo.
E ativos podem ser:
- Monetizados
- Licenciados
- Mantidos
- Comercializados
Isso muda completamente o conceito de morte digital.
O Feed Imortal: o que realmente importa?
1. Existe patente? Sim.
2. Vai virar produto? Não confirmado.
3. Pode funcionar tecnicamente? Sim.
4. É eticamente simples? Não.
5. O risco maior é técnico ou social? Social.
FAQ
A Meta patenteou uma IA que posta após a morte?
Sim, existe patente descrevendo simulação de usuários ausentes, incluindo falecidos. Mas isso não significa que o produto foi lançado.
Isso já está funcionando?
Não há anúncio oficial de implementação pública.
É legal fazer isso no Brasil?
Dependeria de consentimento explícito e interpretação da legislação de dados e herança digital.
Isso pode atingir 4 bilhões de pessoas?
A escala teórica é global, mas não há confirmação de aplicação em massa.
Pensamento TechMaker
Se uma inteligência artificial aprende padrões de comportamento, linguagem, decisões recorrentes, vínculos familiares, preferências e histórico relacional de uma pessoa, ela não está apenas processando dados. Ela está operando sobre camadas estruturadas de humanidade digitalizada.
Não estamos falando de corpo físico. O corpo deixa de existir. O que permanece é o rastro: mensagens, fotos, áudios, vídeos, reações, memórias compartilhadas, interações com amigos e familiares. Ao longo dos anos, cada publicação constrói uma identidade digital coerente.
Quando uma patente descreve a possibilidade de uma IA continuar publicando, respondendo ou interagindo com base nesses padrões, surge uma questão tecnológica legítima: essa continuidade é apenas automação — ou é uma forma de extensão simbólica da identidade?
Com consentimento prévio ou autorização familiar, a operação pode ser legal. Mas o debate não é apenas jurídico. A tecnologia, ao modelar comportamento humano e mantê-lo ativo após a morte física, passa a lidar com algo que ultrapassa infraestrutura: ela lida com memória afetiva, com história compartilhada e com vínculos reais.
Se identidade digital é composta por narrativa, linguagem, hábitos, relações e memória coletiva, então uma IA treinada nesses elementos não está simplesmente “imitando”. Ela está estruturando continuidade a partir daquilo que definia aquela pessoa no ambiente social.
Aqui não há conspiração. Há reflexão estrutural. A tecnologia pode não se apropriar de um corpo físico — mas pode operar sobre a história de uma vida. E ao fazer isso, cria-se uma presença que permanece no tecido social mesmo após a ausência biológica.
A questão não é técnica. É conceitual: quando a presença digital continua sem o corpo físico, estamos diante de preservação de memória ou de um novo estágio de humanização algorítmica?
No ecossistema digital contemporâneo, onde bilhões constroem diariamente suas identidades nas redes, essa possibilidade redefine os limites entre tecnologia, memória e permanência.

Eduardo Barros é editor-chefe do Tecmaker, Pós-Graduado em Cultura Maker e Mestre em Tecnologias Educacionais. Com experiência de mais de 10 anos no setor, sua análise foca em desmistificar inovações e fornecer avaliações técnicas e projetos práticos com base na credibilidade acadêmica.










