A guerra dos consoles acabou — e não foram Sony, Microsoft ou Nintendo

Guerra dos consoles

Por décadas, jogadores foram levados a aceitar uma regra não escrita: escolher um console significava abrir mão dos outros. A ideia parecia inevitável, quase natural. Mas um projeto recente, criado fora do circuito oficial da indústria, colocou essa lógica em xeque. Modders chineses construíram um console físico capaz de alternar entre PlayStation 5, Xbox Series S e o sucessor do Switch com apenas um botão.

Não é marketing. Não é conceito. É engenharia real funcionando. E o que isso revela vai muito além dos videogames.

Quem construiu o console que ninguém esperava

O projeto foi desenvolvido por um canal chinês de modificação de hardware chamado XNZ, conhecido por desmontar e reconstruir dispositivos comerciais para explorar seus limites técnicos.

A motivação inicial foi simples e bastante comum:

ter três consoles diferentes ocupa espaço, custa caro e cria uma confusão de cabos, fontes e ventilação. A pergunta que guiou o projeto foi direta: por que não existe um único aparelho que substitua todos?

A resposta não veio das grandes empresas, mas da bancada de modders.

O que é, de fato, o “Nintendo PSXBOX 5”

O nome do projeto é direto e provocador: Nintendo PSXBOX 5.

Mas é importante esclarecer logo o ponto central: não se trata de emulação, nem de software mágico rodando tudo ao mesmo tempo.

O que os modders fizeram foi algo mais ousado — e mais honesto tecnicamente.

Dentro do gabinete existem três consoles reais, reduzidos ao essencial:

  • PlayStation 5
  • Xbox Series S
  • um hardware baseado nas especificações estimadas do sucessor do Switch, informalmente chamado de Switch 2

Cada um mantém sua própria placa-mãe. O que muda é que todos compartilham a mesma fonte de alimentação, o mesmo sistema de refrigeração e uma única saída HDMI.

Somente um console fica ativo por vez.

Demonstração prática do console 3 em 1

O criador do projeto registrou todo o processo em vídeo, mostrando desde a desmontagem dos consoles até o funcionamento final do sistema unificado, com alternância entre plataformas em poucos segundos.

Assistir ao vídeo completo
  • Alternância entre PS5, Xbox Series S e Switch 2 por um único botão
  • Sistema de refrigeração central inspirado no Mac Pro (2013)
  • Fonte de alimentação única compartilhada entre as plataformas
  • Construção com impressão 3D e fundição personalizada em alumínio
  • Testes reais de funcionamento sem alertas de superaquecimento

Um botão que troca de console em segundos

O detalhe mais impressionante do projeto é também o mais simples:

um botão físico, localizado no topo do gabinete, alterna o console ativo em menos de cinco segundos.

Ao pressioná-lo:

  • o sinal HDMI é redirecionado,
  • o sistema em uso recebe energia,
  • os outros dois entram em estado inativo.

Para o usuário, a troca é quase imediata. Para a engenharia, é um desafio enorme.

O maior obstáculo não era desempenho — era calor

Juntar três consoles completos em um único corpo não esbarra primeiro em processamento, mas em dissipação térmica. Cada um desses aparelhos foi projetado para ter seu próprio fluxo de ar.

A solução encontrada pelos modders foi inspirada em um design conhecido: o Mac Pro de 2013, famoso por seu sistema de refrigeração centralizado.

O console adotou:

  • um bloco triangular de alumínio com aletas,
  • um único ventilador central, que empurra o ar verticalmente,
  • dutos internos que direcionam o fluxo para a placa ativa.

Durante testes práticos, rodando jogos do PS5 por cerca de meia hora, o sistema se manteve estável, com temperaturas em torno de 60 °C, sem alertas de superaquecimento.

Ou seja: funciona.

Por que as grandes empresas nunca tentaram algo assim?

A resposta não está na tecnologia. Está no modelo de negócios.

Empresas como Sony, Microsoft e Nintendo não competem apenas por hardware. Elas competem por:

  • exclusividade de jogos,
  • controle de lojas digitais,
  • serviços por assinatura,
  • fidelidade forçada ao ecossistema.

Um console integrado quebra essa lógica. Ele transforma o hardware em algo neutro, quase invisível, e devolve o poder de escolha ao jogador.

Para um modder, isso é liberdade. Para uma corporação, é um risco estratégico.

O que esse projeto revela sobre a “guerra dos consoles”

Durante anos, a indústria sustentou a ideia de que cada console precisava ser diferente por razões técnicas. O projeto do XNZ mostra algo incômodo: a separação nunca foi técnica — sempre foi comercial.

Se três consoles completos podem:

  • coexistir no mesmo gabinete,
  • compartilhar energia e refrigeração,
  • alternar em segundos,

então a guerra dos consoles não é uma necessidade tecnológica. É uma construção de mercado.

Existe risco legal? Sim — e isso não é um detalhe

O Nintendo PSXBOX 5 não é um produto comercial. Ele vive numa zona cinzenta.

Embora utilize hardware legítimo, a modificação:

  • rompe garantias,
  • ignora contratos de uso,
  • e não poderia ser vendida em larga escala sem conflitos jurídicos.

Isso explica por que projetos assim surgem como prova de conceito, não como produtos de prateleira. Eles não querem dominar o mercado — querem mostrar o que é possível.

O impacto cultural vai além dos games

Esse projeto dialoga com algo maior. Assim como aconteceu com música, filmes e streaming, os consumidores começam a rejeitar muros artificiais.

A mensagem implícita é clara:

o usuário quer acessar experiências, não defender marcas.

Quando um console consegue alternar entre três plataformas com um botão, ele expõe o que muitos já sentiam, mas não conseguiam provar: a fragmentação é uma escolha da indústria, não uma limitação da tecnologia.

Os modders chineses encerraram a guerra dos consoles?

Eles não encerraram comercialmente, mas encerraram conceitualmente.

A tecnologia já permite um console unificado. O que mantém a separação são decisões estratégicas, não barreiras técnicas.

Leituras relacionadas

Se você gosta de tecnologia que muda hábitos, derruba “regras” antigas e força o mercado a se reorganizar, estes conteúdos complementam a discussão:

Quando a engenharia desmonta o discurso

O Nintendo PSXBOX 5 não vai substituir o PlayStation, o Xbox ou o próximo Switch. Mas ele faz algo talvez mais importante: desmonta a narrativa que sustentou a guerra dos consoles por décadas.

Assim como em muitas histórias antigas, quando alguém encontra um caminho alternativo, o conflito perde o sentido.

Não porque as forças desapareceram — mas porque ficou claro que o muro sempre foi opcional.

E quando a tecnologia prova isso com um simples botão, a pergunta deixa de ser “qual console escolher?” e passa a ser outra, bem mais incômoda:

por que aceitamos essa escolha por tanto tempo?

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