Por Que o Hubble Revisitou o 3I/ATLAS?
O Telescópio Espacial Hubble, operado pela NASA e pela ESA, reobservou o cometa interestelar 3I/ATLAS em 30 de novembro de 2025. O objetivo foi capturar detalhes refinados de sua estrutura cometária em formação, após os primeiros sinais de atividade precoce já identificados semanas antes.
Utilizando sua câmera de última geração, a Wide Field Camera 3 (WFC3), o Hubble conseguiu obter imagens com resolução superior às captadas por telescópios terrestres, revelando camadas de sublimação, núcleo obscurecido e padrões assimétricos de ejeção de gás.
📡 Observação Registrada pelo Hubble

Processamento: J. DePasquale (STScI) | Instrumento: Wide Field Camera 3 (WFC3) | Data: 30 de novembro de 2025
O Que Os Dados Mostram Sobre o Cometa?
As imagens mostram que o 3I/ATLAS já desenvolveu uma coma visível e discreta cauda de gás ionizado, ainda longe do periélio. Isso indica uma composição química altamente volátil, consistente com os dados do James Webb, que apontam presença dominante de CO₂.
A assimetria observada na ejeção sugere que o cometa não é esférico, e pode apresentar regiões ativas expostas, o que aumenta o interesse em monitorar sua rotação e possíveis mudanças em sua trajetória.
Além disso, o brilho da coma sugere que a taxa de sublimação aumentou desde a última observação — um comportamento incomum para objetos a essa distância, reforçando a hipótese de origem em regiões ultra-frias de outro sistema estelar.
Dados Técnicos da Observação do Hubble
| Parâmetro | Detalhes |
|---|---|
| Data da observação | 30 de novembro de 2025 |
| Instrumento utilizado | Wide Field Camera 3 (WFC3) |
| Distância do Sol | ~4,3 UA (aproximadamente) |
| Distância da Terra | ~3,1 UA |
| Evidências coletadas | Coma visível, sublimação ativa |
| Tipo de atividade observada | Ejeção de CO₂ e poeira fina |
| Análise preliminar | Atividade incomum e precoce |
O Que Revela a Revisita do Hubble ao 3I/ATLAS?
Em 30 de novembro de 2025, o Telescópio Espacial Hubble voltou a observar o cometa interestelar 3I/ATLAS, capturando imagens mais próximas de sua coma — a nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo. A expectativa era detectar a formação de cauda, mas as imagens mostraram apenas sinais discretos de atividade.
Essas novas observações foram cruciais porque aconteceram após a maior aproximação do cometa ao Sol, um momento em que muitos corpos congelados liberam jatos de material volátil. O 3I/ATLAS, no entanto, manteve-se misteriosamente contido.
A Composição Exótica do 3I/ATLAS: Um Mensageiro de Outra Estrela?
A análise espectral feita com os instrumentos do Hubble indicou a presença de compostos de carbono e vestígios de amônia. Isso sugere que o cometa pode ter origem em um sistema estelar mais frio, diferente do nosso, onde elementos voláteis são preservados por mais tempo.
Esse tipo de composição reforça a tese de que o 3I/ATLAS é um mensageiro interestelar genuíno, com potencial para revelar como a química primordial se manifesta em outras regiões da galáxia.
Qual a Importância Científica Dessa Nova Observação?
Ao revisitar o 3I/ATLAS, os astrônomos da NASA conseguiram observar o comportamento do cometa em dois momentos diferentes da sua jornada cósmica: antes e depois do periélio (ponto mais próximo do Sol). Essa dupla observação permite comparar a evolução da atividade do objeto, algo extremamente raro em cometas interestelares.
Além disso, os dados do Hubble foram combinados com imagens do telescópio Juice, da ESA, o que forneceu uma perspectiva multidimensional da trajetória e estrutura do cometa.
Hubble + Juice: Colaboração Internacional no Estudo Interestelar
A observação conjunta feita pelos telescópios Hubble (NASA) e Juice (ESA) marca um momento importante de colaboração internacional na ciência planetária. Enquanto o Hubble forneceu imagens de alta resolução no espectro visível, a missão Juice contribuiu com dados infravermelhos e de dinâmica orbital.
Essa sinergia de dados fortalece a modelagem da trajetória do 3I/ATLAS e ajuda a prever como outros objetos interestelares poderão ser estudados nas próximas décadas.
O Que Diferencia um Cometa Interestelar de um Cometa Comum?
Cometas do Sistema Solar têm órbitas elípticas previsíveis e origem, em geral, na Nuvem de Oort ou no Cinturão de Kuiper. Já os cometas interestelares — como 3I/ATLAS — percorrem órbitas hiperbólicas, ou seja, eles vêm de fora do sistema solar e passam uma única vez.
Esses objetos são valiosos porque trazem material não processado por bilhões de anos em outras regiões da galáxia. Suas trajetórias únicas revelam pistas sobre a movimentação gravitacional de outras estrelas e até sobre eventuais exoplanetas que os ejetaram.
Segundo a NASA, o 3I/ATLAS pode ter sido expulso de seu sistema natal por uma instabilidade gravitacional — e essa hipótese é reforçada por seu padrão de rotação incomum e pela ausência de cauda desenvolvida, mesmo após o periélio.
Por Que o 3I/ATLAS Não Desenvolveu uma Cauda Visível?
A ausência de uma cauda expressiva, mesmo após a aproximação com o Sol, surpreendeu os cientistas. A explicação pode estar na estrutura compacta do núcleo do cometa, que estaria selando os voláteis em seu interior, impedindo sublimação suficiente para formar jatos.
Outra possibilidade é que os compostos presentes sejam menos reativos ao calor solar — um indício de composição química diferente dos cometas do nosso sistema. Isso abre espaço para estudos sobre formações em sistemas frios e anões vermelhos, com implicações para a astrobiologia.
É importante destacar que a coma foi detectada, ainda que pequena. Isso mostra que o objeto possui alguma atividade, mas em níveis mínimos. A próxima janela de observação, prevista para janeiro de 2026, pode trazer mais surpresas.
O Que Podemos Aprender com o 3I/ATLAS para o Futuro da Exploração Espacial?
A cada novo objeto interestelar detectado, a astronomia avança rumo a uma ciência mais galáctica e menos solarocêntrica. O 3I/ATLAS representa uma rara oportunidade de estudar matéria de outra estrela sem sair da Terra, o que é crucial para o planejamento de missões interestelares futuras.
As observações do Hubble e da ESA com Juice servirão de base para calibrar sensores, softwares de análise espectral e sistemas de rastreamento de alta precisão. Isso vai beneficiar projetos como o Nancy Grace Roman Telescope e futuras missões como a ESA Comet Interceptor, que buscará interceptar um cometa virgem.
Mais que isso, o caso do 3I/ATLAS reforça a importância de manter protocolos ativos de alerta e observação internacional colaborativa, algo cada vez mais relevante para defesa planetária.
🔭 Checklist de Observação – Cometa Interestelar 3I/ATLAS
- 🔹 Telescópio Espacial Hubble – Câmera Wide Field Camera 3 (WFC3)
- 🔹 Espectrômetro da ESA (JUICE) – Instrumentos ópticos de alta resolução para espectroscopia ultravioleta
- 🔹 Observatórios terrestres de apoio – VLT (Chile), Gemini North (Havaí)
- 🔹 Softwares de modelagem orbital – JPL Horizons, ESA NEOCC
- 🔹 Análise colaborativa – Dados cruzados entre NASA, ESA e Minor Planet Center
Esses instrumentos permitiram uma análise profunda da trajetória, atividade e composição do cometa interestelar 3I/ATLAS.
FAQ – Perguntas Frequentes
Por que o Hubble está observando o 3I/ATLAS?
Porque é um objeto interestelar ativo e raro, que oferece uma oportunidade única de estudo antes de sua aproximação máxima.
O que foi detectado pelo Hubble?
Uma coma já desenvolvida, ejeção de gases e sinais de assimetria estrutural no núcleo.
Isso confirma que o 3I/ATLAS é diferente de cometas comuns?
Sim. Sua atividade a longas distâncias e composição rica em CO₂ indicam origem em ambiente muito diferente do Sistema Solar.
Qual é o próximo passo?
Monitoramento contínuo por missões como Juice, Webb, telescópios terrestres e novas passagens de radar, se possível.
| Característica | 3I/ATLAS | 1I/ʻOumuamua | 2I/Borisov |
|---|---|---|---|
| Designação Oficial | 3I/ATLAS (MPEC 2025-UE2) | 1I/ʻOumuamua | 2I/Borisov |
| Ano da Descoberta | 2025 | 2017 | 2019 |
| Origem | Interestelar (fora do Sistema Solar) | Interestelar | Interestelar |
| Atividade Cometária | Sim (coma e cauda observadas) | Não (sem coma detectada) | Sim (atividade intensa) |
| Formato Estimado | Desconhecido (possível forma alongada) | Cilíndrico ou panqueca achatada | Esférico ou levemente irregular |
| Velocidade Relativa | ~ 26 km/s | ~ 87 km/s | ~ 33 km/s |
| Composição Detectada | Possível gelo e poeira volátil | Indefinida (sem gases detectáveis) | H2O, CO2, carbono, cianeto |
| Observações por | Hubble, JUICE, telescópios terrestres | Pan-STARRS, Hubble, Spitzer | Hubble, ALMA, VLT, Keck |
Por Que Essa Observação é Tão Importante?
Essa é a primeira vez que a ciência consegue acompanhar em tempo real a evolução de um objeto interestelar desde os primeiros sinais de atividade até sua aproximação com o Sol. O Hubble está captando dados que podem reescrever o que sabemos sobre a formação de cometas fora do Sistema Solar.
Além do valor astronômico, essas observações também têm importância prática: aumentam nossa capacidade de prever o comportamento de corpos celestes não familiares, o que é essencial para defesa planetária, ciência atmosférica e engenharia aeroespacial.
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Eduardo Barros é editor-chefe do Tecmaker, Pós-Graduado em Cultura Maker e Mestre em Tecnologias Educacionais. Com experiência de mais de 10 anos no setor, sua análise foca em desmistificar inovações e fornecer avaliações técnicas e projetos práticos com base na credibilidade acadêmica.










