O Que Mostram as Novas Imagens do 3I/ATLAS?
As agências espaciais NASA e ESA divulgaram novas imagens captadas entre os dias 28 e 30 de novembro de 2025, revelando que o cometa interestelar 3I/ATLAS já apresenta sinais de atividade intensa, mesmo estando ainda a milhões de quilômetros do Sol. A descoberta surpreende os astrônomos porque a liberação de gases e poeira — conhecida como sublimação — normalmente ocorre mais perto do periélio (ponto mais próximo do Sol).
As imagens foram obtidas por uma rede coordenada de observatórios, incluindo instrumentos da missão ESA’s Juice e telescópios terrestres sincronizados com o protocolo do Minor Planet Center. As observações indicam que a coma do cometa (sua “cabeça gasosa”) está se expandindo de forma acelerada, algo incomum para objetos com trajetória hiperbólica.
Este fenômeno sugere que o 3I/ATLAS possui uma composição rica em voláteis que se sublimam mesmo em temperaturas mais baixas — uma pista importante sobre sua origem fora do Sistema Solar.

Leitura Recomendada para Mentes Curiosas:
Você sabia que o cometa interestelar 3I/ATLAS foi recentemente reobservado pelo Telescópio Hubble, revelando atividades inesperadas que desafiam o que sabemos sobre objetos vindos de fora do Sistema Solar?
👉 Descubra os detalhes dessa observação histórica e o que ela pode nos dizer sobre a origem e o comportamento de cometas interestelares.
🔗 Acesse agora: Cometa 3I/ATLAS observado pelo Hubble
Quando o 3I/ATLAS Vai Passar Perto da Terra?
Nesse contexto, o cometa fará sua máxima aproximação da Terra em 19 de dezembro de 2026, mas sua trajetória não representa qualquer risco de colisão. Ainda assim, por sua velocidade, ângulo orbital e origem interestelar confirmada, ele será alvo de uma campanha global de observação sem precedentes.
Os dados coletados agora, com tanta antecedência, são valiosos para entender:
- Como objetos interestelares se comportam ao entrar no Sistema Solar
- Se há padrões químicos semelhantes a cometas locais
- Qual a estrutura do núcleo e do coma em ambientes menos energéticos
Dados Técnicos Atuais do 3I/ATLAS
| Parâmetro | Valor Aproximado |
|---|---|
| Origem | Fora do Sistema Solar (hiperbólica) |
| Periélio previsto | 9 de janeiro de 2027 |
| Aproximação máxima da Terra | 19 de dezembro de 2026 |
| Sinais de atividade cometária | Confirmados em novembro de 2025 |
| Instrumentos de captura | ESA/Juice, telescópios VLT e Hubble |
| Trajetória | Confirmada como não perigosa |
A Coma do 3I/ATLAS é Rica em Dióxido de Carbono, Revela o Telescópio James Webb
Novas observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) confirmaram que a coma do 3I/ATLAS — a nuvem de gás e poeira que envolve seu núcleo — é dominada por dióxido de carbono (CO₂), ao contrário do que se observa na maioria dos cometas locais, onde a água é o principal componente. Essa descoberta reforça a origem extrassolar do objeto e levanta novas perguntas sobre as condições em que o cometa se formou.
O CO₂ é altamente volátil, o que explica por que o cometa começou a apresentar atividade tão cedo, mesmo estando longe do Sol. A sublimação precoce registrada pelas imagens da NASA e da ESA é, portanto, coerente com a presença intensa desse composto, que começa a evaporar com temperaturas muito mais baixas do que o gelo de água.
Além do CO₂, foram identificados traços de H₂O, CO e compostos orgânicos, ampliando a relevância científica da descoberta. Essa assinatura química pode oferecer pistas sobre regiões geladas de discos protoplanetários de outras estrelas, onde a luz solar é fraca e apenas compostos extremamente voláteis conseguem se manter ativos.
Essas informações tornam o 3I/ATLAS um dos objetos mais valiosos já estudados pela astrobiologia moderna. Ele pode conter fragmentos químicos intactos de outro sistema estelar, preservados desde a formação de sua estrela de origem.
Polarização Negativa Indica Superfície Similar a Objetos Transnetunianos
Um estudo recente realizado com telescópios baseados no solo e com equipamentos de polarimetria revelou que o 3I/ATLAS apresenta uma polarização negativa profunda da luz refletida — um fenômeno óptico que acontece quando partículas muito pequenas ou superfícies porosas interagem com a luz solar de forma específica.
Esse comportamento é surpreendentemente semelhante ao observado em cometas do cinturão de Kuiper e objetos transnetunianos, como Plutão e Sedna. Isso indica que a superfície do 3I/ATLAS pode ser coberta por gelo escuro, poroso e rico em material orgânico primitivo, características comuns em corpos formados nas regiões mais externas de sistemas planetários.
A polarimetria é uma técnica avançada que ajuda a revelar texturas, tamanhos de grão e estrutura superficial sem a necessidade de uma missão de pouso. No caso do 3I/ATLAS, ela forneceu mais uma prova de que o objeto não tem nada em comum com asteroides ou cometas típicos do Sistema Solar.
Esses dados ajudam os cientistas a comparar amostras cósmicas distantes com os corpos gelados que conhecemos em nossa vizinhança — e reforçam a hipótese de que o cometa interestelar se formou longe da estrela que o gerou, em ambientes extremamente frios e densos em compostos voláteis.
Missões Simultâneas Monitoram o 3I/ATLAS: Um Evento Sem Precedentes

Crédito: NASA / Hubble Space Telescope.
Pela primeira vez na história da astronomia, um objeto interestelar está sendo monitorado por múltiplas missões e telescópios em diferentes órbitas do Sistema Solar, antes mesmo de atingir seu ponto mais próximo da Terra e do Sol. O 3I/ATLAS está sendo observado por instrumentos a bordo da sonda Juice (ESA), pelo Telescópio Espacial Hubble, pelo James Webb e por telescópios terrestres sincronizados globalmente.
Além disso, observatórios localizados em Marte e satélites solares como o SOHO também estão configurados para registrar dados do cometa à medida que ele se aproxima. Essa campanha coordenada nunca foi possível com os objetos interestelares anteriores, que foram descobertos já em fase de saída do Sistema Solar.
A observação simultânea de vários ângulos e espectros (visível, infravermelho, ultravioleta e polarimétrico) permitirá construir uma visão tridimensional sem precedentes da estrutura e do comportamento do 3I/ATLAS. Com isso, os cientistas esperam entender melhor como a radiação solar afeta sua atividade, como sua trajetória evolui e quais elementos voláteis estão presentes.
Essa mobilização internacional reforça a importância científica do cometa e inaugura um novo modelo de cooperação astronômica global voltada para objetos que ultrapassam os limites tradicionais do nosso conhecimento cósmico.
FAQ – Perguntas Frequentes
O que é o 3I/ATLAS?
É o terceiro objeto interestelar confirmado que atravessa nosso Sistema Solar — um cometa com origem fora da órbita solar.
Ele já está ativo?
Sim. Imagens recentes mostram sublimação precoce, com formação de coma antes da aproximação ao Sol.
Isso é comum em cometas?
Não. Atividade tão precoce é rara e reforça a singularidade do 3I/ATLAS.
Há risco para a Terra?
Não. Sua trajetória é segura e monitorada por diversas agências.
Qual a importância dessas imagens?
Elas ajudam a entender a composição e o comportamento de corpos formados em outros sistemas estelares.
Leituras recomendadas sobre tecnologia e defesa planetária
Por Que Isso Importa?
Portanto, a atividade precoce do 3I/ATLAS mostra que objetos interestelares não apenas existem — eles são em tempo real. Essas observações inéditas nos colocam diante de uma janela única para investigar a química de outros sistemas solares, algo que até pouco tempo parecia ficção científica.
Assim, o cometa será um marco na história da astronomia não apenas por sua origem, mas pelo que poderá revelar sobre a formação planetária além da Terra . Quanto mais cedo o compreendermos, melhor preparados estaremos para futuras descobertas — e para possíveis riscos.
Leitura Recomendada
🔗 Quer entender o que são objetos interestelares e como o 3I/ATLAS pode mudar a astronomia?
👉 Leia o guia completo no TecMaker

Eduardo Barros é editor-chefe do Tecmaker, Pós-Graduado em Cultura Maker e Mestre em Tecnologias Educacionais. Com experiência de mais de 10 anos no setor, sua análise foca em desmistificar inovações e fornecer avaliações técnicas e projetos práticos com base na credibilidade acadêmica.










