3I/3E ATLAS: o cometa interestelar observado ao vivo deixando o Sistema Solar

cometa interestelar 3I/ATLAS

Atualização científica — 16 de janeiro

O cometa interestelar 3I/3E ATLAS está se despedindo definitivamente do Sistema Solar. Nesta sexta-feira (16), astrônomos e entusiastas poderão acompanhar ao vivo e gratuitamente o afastamento do objeto em uma transmissão especial que registra, em tempo real, sua trajetória de escape rumo ao espaço interestelar.

A observação será conduzida pelo Virtual Telescope Project, que exibirá imagens ao vivo do cometa enquanto ele segue sua jornada sem retorno. Trata-se de uma oportunidade rara: é a primeira vez que um cometa interestelar é acompanhado em tempo real durante sua saída definitiva do Sistema Solar.

Segundo Gianluca Masi, fundador do projeto, essa observação representa um marco histórico para a astronomia moderna. Em declaração recente, ele destacou que acompanhar o 3I/3E ATLAS ao vivo é uma chance única de testemunhar um dos fenômenos mais importantes das últimas décadas, envolvendo objetos vindos de fora do nosso sistema planetário.

Transmissão ao vivo: como assistir

Acesso: gratuito, via YouTube

Data: sexta-feira, 16 de janeiro

Horário: 17h (horário de Brasília) | 21h GMT

Instrumento: telescópio robótico Schmidt-Cassegrain de 14 polegadas

Local: observatório em Manciano, Itália

 Link para assistir à transmissão ao vivo:

Por que esse cometa é tão importante?

O 3I/3E ATLAS foi descoberto em 1º de julho de 2025 e rapidamente confirmado como apenas o terceiro objeto interestelar já observado atravessando o Sistema Solar. A análise de sua órbita demonstrou que ele não está gravitacionalmente ligado ao Sol, o que comprova sua origem fora do nosso sistema estelar.

O cometa atingiu o periélio — ponto de maior aproximação do Sol — em 29 de outubro, surpreendendo cientistas ao apresentar um brilho maior do que o previsto. Durante esse período, ficou temporariamente invisível da Terra por estar do outro lado do Sol.

Em 19 de dezembro, realizou sua maior aproximação do nosso planeta, passando a cerca de 270 milhões de quilômetros da Terra. Antes de deixar definitivamente o Sistema Solar, ainda realizará um último evento relevante: uma passagem relativamente próxima por Júpiter, prevista para março, quando cruzará a região do gigante gasoso a aproximadamente 53,7 milhões de quilômetros.

Após esse encontro final, o 3I/3E ATLAS seguirá silenciosamente por milhares de anos, atravessando as regiões externas do sistema planetário, cruzando a Nuvem de Oort e retornando ao espaço interestelar profundo — de onde provavelmente se originou.

Atualização: o MPEC 2025-UE2 e a campanha global de observação

Em 21 de outubro de 2025, o Minor Planet Center (IAU) publicou o boletim oficial
👉 MPEC 2025-UE2,
convocando astrônomos profissionais e amadores a participarem de uma campanha coordenada de observação do cometa 3I/ATLAS.

A iniciativa marca o início de uma nova fase no acompanhamento do objeto — especialmente após o periélio, momento em que o cometa alcança o ponto mais próximo do Sol, em 29 de outubro de 2025.
Esse chamado global também coincidiu com o anúncio da ativação dos protocolos de defesa planetária da NASA, o que ampliou o interesse público e a circulação de informações (e desinformações) sobre o tema.

Enquanto o artigo original do TecMaker detalha a origem, trajetória e características científicas do 3I/ATLAS, a nova publicação analisa o impacto do MPEC 2025-UE2, a repercussão internacional e o papel das agências espaciais na transparência científica.

📖 Leia a análise completa:
➡️ MPEC 2025-UE2: Cometa 3I/ATLAS e o alerta de defesa planetária da NASA

O que é o 3I/ATLAS?

O 3I/ATLAS é um cometa interestelar detectado em 1º de julho de 2025 pelo sistema Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System (ATLAS), no Havaí e no Chile. Ele é o terceiro objeto confirmado a vir de fora do Sistema Solar — depois de ʻOumuamua (1I) e 2I/Borisov.

Sua órbita hiperbólica (com excentricidade maior que 1) comprova que ele não pertence ao nosso sistema: trata-se de um viajante cósmico, possivelmente expulso de outro sistema estelar há milhões de anos.

De acordo com a NASA, o 3I/ATLAS está em uma trajetória de passagem única, não retornará e não oferece risco à Terra. Ainda assim, o objeto tem causado fascínio — e desinformação — em igual medida.

Quando o 3I/ATLAS se aproximará do Sol e da Terra?

O periélio (ponto mais próximo do Sol) de 3I/ATLAS está previsto para 29 de outubro de 2025, a cerca de 1,36 UA (Unidades Astronômicas, ou 203 milhões de quilômetros).
Já sua aproximação máxima da Terra ocorrerá em dezembro de 2025, a cerca de 1,8 UA, o que equivale a quase 270 milhões de quilômetros de distância.

Esses números descartam qualquer hipótese de colisão ou perturbação gravitacional. Em vez disso, a passagem oferece uma rara oportunidade científica: analisar como compostos voláteis se comportam em cometas que nunca estiveram expostos à radiação solar.

🧊 Comparado a 2I/Borisov, o 3I/ATLAS é mais brilhante e mostra uma atividade maior de sublimação — o processo de transformação direta de gelo em gás, formando sua “coma”, ou atmosfera temporária.

Composição química: o enigma da hidroxila e do gelo no coma

Estudos conduzidos pelo telescópio James Webb (JWST) indicam que o coma (a atmosfera do cometa) de 3I/ATLAS contém altas concentrações de dióxido de carbono (CO₂), água (H₂O) e hidroxila (OH), além de traços de monóxido de carbono (CO) e compostos sulfurados como OCS.

A hidroxila tem chamado atenção por ser um dos indicadores da presença de gelo sublimado. Quando a luz solar incide sobre o cometa, ela quebra as moléculas de água, liberando hidroxila — fenômeno natural, mas muitas vezes usado indevidamente em teorias conspiratórias para sugerir “propulsão artificial”.

Além disso, as observações indicam que os grãos de gelo no coma são extremamente pequenos, semelhantes aos encontrados em nuvens moleculares interestelares. Isso sugere que o 3I/ATLAS preserva uma assinatura química primitiva, anterior até mesmo à formação do Sistema Solar.

Mistério interestelar ou tecnologia alienígena?

Desde sua descoberta, 3I/ATLAS despertou especulações sobre vida extraterrestre.
Influenciadores como Jan Van Ellam afirmaram em vídeos e fóruns que o cometa seria uma nave alienígena disfarçada, enviando sinais para a Terra.
Essas narrativas, entretanto, não possuem respaldo científico.

O físico quântico Harold de Souza (UFABC) explica que “as medições espectroscópicas mostram uma assinatura típica de sublimação de gelo e poeira, sem qualquer traço de emissões de rádio controladas”.

A NASA reforça: não há detecção de rádio, micro-ondas ou variações de trajetória não explicáveis pela física orbital.
O 3I/ATLAS é, portanto, um fenômeno natural e fascinante, mas não uma nave ou artefato tecnológico.

Leituras Recomendadas

Mitos e Verdades sobre o 3I/ATLAS

Alegação PopularSituação RealEvidência Científica
“É uma nave alienígena disfarçada”❌ MitoTrajetória e composição idênticas às de cometas comuns.
“A hidroxila indica motor de propulsão”❌ Interpretação incorretaA hidroxila é subproduto da sublimação de gelo.
“O cometa se aproximará demais do Sol”⚠️ Parcialmente verdadeiroPassará a 1,36 UA — sem perigo, mas suficiente para ativar o coma.
“O Sol em outubro e a Terra em dezembro serão afetados”❌ FalsoNenhum alinhamento anômalo ou interferência prevista.
“Grãos de gelo indicam origem artificial”❌ FalsoSão compostos comuns em corpos gelados interestelares.

🔍 Resumo: o 3I/ATLAS é uma joia científica, não uma ameaça — e muito menos uma nave disfarçada.

O que o 3I/ATLAS pode revelar sobre a origem do Sistema Solar?

3I/ATLAS cometa interestelar

Os objetos interestelares como 3I/ATLAS funcionam como mensageiros cósmicos, trazendo informações químicas e isotópicas de outros sistemas estelares.
A análise de seu espectro pode ajudar a responder questões fundamentais:

  1. Como se formam os cometas em outros sistemas?
  2. Os elementos orgânicos básicos são universais?
  3. Existem diferenças significativas entre cometas solares e interestelares?

Segundo o pesquisador Janus Martel, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, “cada visitante interestelar é como um fragmento de outro mundo, congelado no tempo e lançado ao espaço por eventos cataclísmicos”.

Em termos tecnológicos, o estudo do 3I/ATLAS abre portas para modelagens quânticas de matéria volátil e novos instrumentos de espectrometria fotônica, capazes de medir assinaturas de moléculas em movimento relativístico.

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Ciência acima dos Boatos

O 3I/ATLAS não é o prenúncio de uma invasão nem o mensageiro de um “Sol em colapso”.
Ele é a prova viva de que a curiosidade humana pode atravessar fronteiras interestelares.

Enquanto os mitos alimentam o medo, a ciência acende luzes — mostrando que a realidade do cosmos é mais fantástica do que qualquer ficção.
O estudo de 3I/ATLAS deve ser celebrado como um marco da astronomia moderna e um lembrete de que a busca pelo conhecimento é o maior motor do universo.

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